A trajetória de Ivete Sangalo até se tornar uma das cantoras mais conhecidas do Brasil não foi nada fácil. Atualmente com 54 anos, a artista, que vive um novo romance após o fim do casamento com Daniel Cady, relembrou uma fase difícil da adolescência em que precisou ajudar a família financeiramente depois de perder o pai e um irmão.
O relato foi feito durante uma entrevista ao programa 'Angélica ao Vivo', do GNT. Em conversa com a esposa de Luciano Huck, ironizada pela ex-nora após uma declaração sobre o filho, Veveta contou que a família enfrentou uma sequência de dificuldades depois das duas mortes.
"Meu pai morreu, cinco meses depois, um irmão meu morreu atropelado. Então, se instaurou uma decadência emocional mesmo [na família]. E aí, minha mãe deprimida e tal, o bicho pegando, não pagava condomínio, não pagava a luz, não tinha comida. O bicho começou a pegar mesmo. Não tinha dinheiro para pegar um ônibus. A gente não podia vender a casa que morava, e o meu pai também nos orientou nunca vender o lugar que morava", contou.
Segundo Ivete Sangalo, a situação chegou a um ponto em que a família precisava encontrar uma maneira de conseguir dinheiro para comprar alimentos. Foi quando a mãe decidiu penhorar um anel: "Aí, um belo dia minha mãe acordou, porque nós estávamos em necessidade mesmo, e falou assim... pegou um anel, mandou a gente penhorar. Eu e Cynthia, minha irmã, fomos ao banco, penhoramos, pegamos o dinheiro, fizemos umas compras".
Com os alimentos em casa, a família começou a preparar quentinhas para vender. Para isso, Ivete e a irmã ficavam responsáveis pela embalagem e pelas entregas: "Nós botamos em quentinhas que tínhamos em casa, de plástico, e ela falou: 'vamos para a rua vender', e nós saímos para vender".
O trabalho cresceu e se tornou a principal fonte de renda da família: "E foi assim, [a venda de quentinhas] nos construiu muito como indivíduos fortes diante das adversidades. E a gente foi para o mundo. Chegou um tempo em que eu entregava 100, 150 quentinhas, só que era de ônibus, no isopor nas costas".
Na época, Ivete Sangalo tinha apenas 17 anos: "Mainha preparava e a gente fazia a embalagem, colocava no isopor, colocava papelão entre as quentinhas... e eu ia parando, fazia o itinerário de ônibus, e ia parando à medida que... a última quentinha tinha que ser entregue meio-dia. Então 10:40 a gente saía, e eu ia parando nos pontos, descia o isopor, separava", relembrou.
Embora as quentinhas ajudaram a construir o sustento da família durante uma fase conturbada, Ivete Sangalo já sabia que o seu grande sonho era de ser cantora. No entanto, a experiência foi imprescindível para que ela pudesse construir a pessoa que queria ser.
"Ah, demorou um tempo, mas eu acreditava na construção de alguma coisa, ainda que eu não quisesse gerenciar a quentinha, porque eu era artista, ainda que não soubesse tanto. Eu já era artista, eu gostava de cantar. Eu sentia que aquilo ali era um aprendizado de construção da pessoa que eu queria ser. Aguerrida, olhando sempre pra frente, percebendo sempre o lado bom das coisas".
"E aí quando eu me tornei cantora, eu fiquei submetida muito tempo à administração dessa carreira porque também estava começando, estava aprendendo. E aí quando eu me dei conta, eu já tinha os meus fãs, já era cantora reconhecida e, na verdade eu sempre fui muito dona da minha vida", completou.